Era virtual
10/02/2009 10:04 | Por: Carlos Bernardo Junior | Categorias: LyfeStyle
Outro dia estava observando uma garota no trem, não por sua beleza, ela nem era tão bela. Mas o fato que me fez começar a observá-la foram as lágrimas que corriam pelo seu rosto, enquanto suplicava, quase implorava, para aquele que estava na outra ponta da conexão de seu celular, não terminasse o relacionamento que tinham. Bom, não sei o motivo, mas aquilo me fez pensar. Como a tecnologia encarece nossas vidas. Digo, encarece no valor monetário mesmo. Tempos atrás, na época dos nossos pais, ou antes, tento imaginar, geralmente um relacionamento, um namoro, ou namorico, deveria ser com alguém que encontrássemos com frequência, como na escola, ou que morasse na mesma rua, ou frequentasse a mesma igreja. Telefone naquela época era caro, bem caro. Internet, bem, ela não existia. Pelo menos não na época de meu pai, que tem 52 anos.
Acredito que um namoro naquela época era lento, talvez melhor, ou não, eu não saberia dizer. O casal se encontrava, passeava, e no final se despediam com um singelo beijo. E combinavam o que fariam e quando fariam o próximo encontro. Pois não iriam ligar para combinar, nem entrar em um “instant messenger” para marcar algo. E para terminar um namoro então? Só pessoalmente, alias, me parece mais honesto isso. O rapaz ou moça iria na casa do outro, tocaria a campainha e explicaria os motivos, e chorariam, e cada um iria para seu lado. E tudo isso sem nenhum custo aparente.
Agora voltando a nossa moça, em desespero, enquanto a companhia de telefonia celular fatura dezenas de Reais com mais aquela relação que finda.
Hoje em dia temos mais comunicação, sim, isto é inegável. E é bem legal, sempre estamos falando com alguém. Agora mesmo, estou escrevendo este texto, e estou a poucos cliques de distância de vários amigos, seja no MSN, GTalk, Orkut, etc. É fascinante e ao mesmo tempo perigoso. Pois ao mesmo tempo que abrindo uma janela eu possa conversar com alguém, ainda sinto meus dedos frios, o ar está forte, a luz branca e o estimulo luminoso do monitor, com certeza tornam meu olhar frio. Não seria possível olhar para uma pequena janela branca, com um punhado de texto e sentir o calor humano. Por mais emocionante que seja o texto, falta o toque, fora este que bate gélido nas teclas deste computador.
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Sua reação deveria ser esbofetea-la e dizer “are you a man or a rat, get your gear and lets go”.
Claro, foi a primeira reação, mas: Qual parte do “ela nem era tão bela” vc não entendeu? Hehehe!
Óh céus! Juntem esse site com o “Mulé Burra” e dá um manual perfeito pro machismo e generalização.
Pow, que pena que a menina não valia a pena pra você ajudar, só valia como tema pra você observar e fazer uma troça de leve em seu “bloginho”…
O mais engraçado é que vocês falam tanto de garotas fúteis e superficiais, o que leva uma garota a ler aquelas revistas, blá blá … pois não, meu caro, é esse tipo de comentário masculino que põe na cabeça das meninas que se elas não forem tão bonitas assim, não valeram a pena pra caras como você. É, como você, pq vc fala fala, usa todo um discurso, mas o ato falho te denuncia. É só mais um.
Cara, katheriny, adorei seu comentário, sério, alegrou meu dia. =D
Desculpe decepcioná-la, mas eu não ajudei a garota, pois o texto é ficção. Escrevi para uma aula de sociologia, se não me engano.
Não consigo enxergar machismo por aqui, acho que pelo contrário, até somos meio feministas, adoro o feminismo. Discordo de você quando diz que os comentários masculinos fazem as mulheres lerem essas revistas. Sinceramente, são as próprias mulheres que geram esse nível de concorrência, onde uma tenta ser mais “bonita” que as outras. Sim, beleza é um critério absoluto. Existem pessoas (homens e mulheres) feias e bonitas, aposto que você mesma tenha suas preferências. E afinal, não estamos falando de beleza, minha cara, mas sim de garotas interessantes, estão em falta. Homens interessantes também parecem estar em falta, pelo que as mulheres dizem.
Fiquei curioso com dois termos que você usou ao se referir a minha pessoa, se puder me explicar, por favor, agradeço:
- “pra caras como você”: que tipo de cara eu sou?
- “o ato falho te denuncia”: que ato falho? Nunca fomos para a cama, eu acho.
Bacci!
Carlos
Honestamente, não acho que isso seja discussão pra comentário de site, porque vejo a questão muito mais profunda que isso. Acredito que ninguém seja assim tão raso, nem que com um contato superficial de olhar você possa dizer quem é o que. Por isso o comentário incomoda, “que tipo de cara eu sou”? Claro que não sei. O que posso ver daqui é apenas alguém cheio de dedos indicadores das falhas alheias. Mas isso é só uma das faces, não?
Depende da forma como você encara o machismo. Realmente, parece que é um machismo bem caricato que vocês enxergam. Assim como o feminismo tratado aqui. Mas pra mim o machismo é dizer que uma mulher não pode falar “meu”, não pode falar alto (as mulheres não podem sair da pose de belas encantadoras por um momento e se exaltarem?), e outros tipos de comentários restritivos.
Veja bem. A mulher, assim como o homem, pode ser o que quiser. A mulher existe por si só e não possui uma função inerente de ser encantadora, bela, princesa ou o que quer que seja. Por isso somos uns 6 bilhões de habitantes na terra. A diversidade é muito mais interessante, e se você não está encontrando a mulher que deseja, talvez esteja olhando mais para as outras, que são alvos de suas críticas permanentes, do que focando nas que te interessariam.
A beleza é um conceito que agrega muitos outros, por isso sim, tenho minhas preferências e você as suas.
O ato falho é um gesto que passa desapercebido, uma fala, que denuncia algo que se quer esconder, além do discurso ensaiado. Claro que nunca fomos pra cama. Preciso de muito mais que uma simples olhadinha pra isso. ; )