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Mulher-bomba e a solidão
Estava vendo que um dos temas da semana do Saia Justa é o livro Como montar uma mulher-bomba, da escritora Luciana Pessanha. Não li o livro, e isso já fica de ante-mão caso alguém venha criticar o que vou dizer. Li algumas resenhas sobre o livro, e confesso que fiquei bem interessado pela leitura e aliás, vou ler, por que não.
O título me parece meio redundante, talvez meio vago. Como criar uma mulher-bomba, nunca achei que fosse opcional, achei que fosse de fábrica. Ah, vai, admitam! Quando vocês perguntam: “Amor, o que tem de diferente em mim?” E você afinou um milímetro da sobrancelha, realmente espera que a gente note? Ou era só um pretexto para explodir? Claro que o livro deva tratar de coisas mais importantes.
Gostei bastante do termo “womanbomber”! Será que já estão vendendo camisetas? Enfim, quando ler comento melhor sobre.
Outro tema do programa é a solidão. Nova York é a cidade onde as pessoas mais moram sozinhas, e em contra-partida também é uma das cidades menos solitárias. Não consigo deixar de achar que esse é um tema bem Paulista. Cada vez mais pessoas morando sozinhas, os apartamentos andam cada vez menores. Tudo muito individualista. Aliás, essa é minha realidade também. Mas enfim, acho que optamos por isso, não? Digo isso pois, cada vez mais ando notando que as pessoas lutam mais pela individualidade. Às vezes não do jeito certo. Antigamente, e ainda vemos nos livros, tínhamos a filha que precisava casar, vide Jane Austen, quase todos dela. Hoje temos a mulher que se dedica a carreira, ou se dedica a festas, curtir, “liberdade”, e não há muito espaço para relacionamentos. Ainda se pedem(exigem) relacionamentos, mas as exigências são tão altas, mas tão altas, que a cosia toda fica inatingível. Ou por que a individualidade é tão grande que exige do parceiro que tenha a compreensão de um monge, e sinceramente, ninguém mais a tem. Ou então por que simplesmente não se está disponível, e cegamente tentamos negociar o inegociável, na esperança de conciliar essa indisponibilidade com um relacionamento, acabamos nos sabotando e magoando outras pessoas.
Fica difícil mesmo, diante de tanta “modernidade”, manter relações estáveis. Não só as relações amorosas, mesmo amigos, família, trabalho… É tanta coisa que acabamos tirando a tampa de uma panela e colocando em outra, e quando vamos ver, acabaram-se as tampas, e as panelas também não estão mais lá. E no fundo nem conseguimos ver de qual panela gostávamos mais, qual tampa não queríamos perder.
Acho que é por isso que está tão na moda procurar psicologos, talvez para tentar fechar essas lacunas de coisas que estamos atropelando. Não existe mais a felicidade do caminho, somente objetivos a serem alcançados. Não se busca mais um relacionamento no qual possamos conhecer a pessoa, parece que eles já começam com cobranças. Ou por que já sabemos o que queremos, e não dispostos a aceitar menos que isso, nem se quer tentar. Ou por que qualquer falha da pessoa já nos faça desistir. Não há tolerância para falhas mais. Perder tempo hoje em dia é perder muita coisa. Mas acho que isso agrava mais o problema da solidão. Essa pressa toda nos faz pular etapas, a falta de coragem também nos faz perder coisa. Ou simplesmente pessimismo, ter medo de arriscar perder aquilo que poderia vir a ser bom. O que para mim parece burrice.
Um aperto de mão,
Carlos
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Filed under: Simone de Beauvoir · Tags: bomba, jane austen, nova york, resenhas









Ah, concordo com tudinho. As pessoas vêm se tratando como armários das casas Bahia, pra quê consertar, não é mesmo? Melhor comprar um novo logo; ou então espalhar umas araras-quebra-galho pela casa.
Concordo que é assim, mas não gosto, registre-se. Voltarei aqui mais vezes.