Como diferenciamos uma dama de uma biscate

24/03/2009 16:27 | Por: Carlos Bernardo Junior | Categorias: Macho de Respeito

 

Hey, boys!

Hey, boys!

Olha, não quero convencer ninguém, e muito menos acreditar que o que eu escrevo por aqui é verdade. Então, portanto, gostaria de ser contrariado, ah, como gostaria, e sinceramente estou aberto a ser convencido de que tudo que escreverei aqui é mentira. E outra, acho que o assunto é algum tema de psicologia, essas coisas aí e eu nem tenho propriedade para falar sobre isso, mas falo mesmo assim, porque quero e pronto!

 

Bom, outro dia estava conversando com um dos camaradas “calças”, diga-se de passagem o mais conservador entre nós. O que defende essas coisas de honra, certo e errado, etc. E após alguns exemplos próximos acabamos os dois vendo que este mundo está perdido. A primeira idéia foi entrar em uma igreja e rezar por nossas almas, mas logo vimos que seria tolice. Então acho que concordamos que não se tem o que fazer. Ninguém está imune. Agora deve ter alguém se perguntando: “Mas que diabos este energúmeno está dizendo???”. Estou falando sobre a indole de certas garotas, veja, digo garotas, mas sei que homens também o fazem. Enfim, estou divagando.

O que vem a cabeça é Madame Bovary, o bom e velho exemplo do que não se deve fazer, caso contrário morreremos! Flaubert lidou bem com o assunto traição, com um sadismo que nem eu seria capaz de pensar. Olha o que eu penso sobre o livro. A Emma, não o bicho, a mulher, era uma jovem sonhadora do interior, esses lugares que tem bois, vacas, grama. Sei lá, sou paulistano, não entendo muito de tal coisa. Sei que certa vez passei 5 dias no campo e achei chato pra burro. Então acho que entendo o porquê dela querer tanto sair de lá. E eis que surge a chance dela sair, o tal doutor Charles, um cara classe média, mas o tédio em pessoa. E ela vê nele a chance de sair da casa dos pais. Ah, sair da casa dos pais, quantos jovens atuais não pensam em tal coisa? Vez ou outra alguém vem me perguntar como fazer para sair da casa dos pais, eu sempre respondo:

Eu: Por que?? Você tem tudo na casa dos pais.
E sempre sou indagado de volta.
Jovem impetuoso: Mas não tenho liberdade!
Então retruco: Ah é? E você realmente acha que com a companhia de telefone, de luz, água, administradora do prédio, TV e internet, todos eles, todos os meses, mandando contas, você, mesmo assim, seria livre para fazer tudo que quisesse? Ir para uma festa em plena terça-feira e voltar de manhãzinha para casa e dormir o dia todo? Mesmo sem trabalhar? Ou mesmo sem ter nunca trabalhado?

Bom, geralmente a discussão termina sempre por aí. Voltando a nossa Emma. Entendo esse espírito de querer sair de casa a qualquer custo, já passei por isso, e já me dei muito mal também, por causa de todo esse impeto juvenil. E acho que Emma viu no tal médico estabilidade, a chance de mudar. Afinal o médico era mediocre em tudo, mediocre no bom sentido, eu acho. Ele tinha uma certa estabilidade financeira, ele estava perdidamente apaixonado por ela, ia oferecer uma vida fora da casa dos pais dela. E lá foi Emma casar com o médico. Problema que o cara era um pé no saco, sabe? Do tipo que só fala de trabalho, futebol, faz elogios do tipo: “Noooooossa mina! Você é gatinha, ein? ein? ein?”. Sabem? Ah, sabem sim! Tá, o cara era maleta mesmo. Mas isso justifica o que Emma está prestes a fazer?

Resumindo o resumo: Emma dispiroca, dá prum monte de caras, fica doente e morre.

Vamos nos apegar à parte do “dá prum monte de caras”. Bom, o livro passa a idéia de que quando ela passa a dar para vários caras a vida dela ganha sentido e ela fica mais alegre, mais viva, se sente alguém no mundo, afinal, pois ela tem emoção e é desejada, etc. O livro fala repetidas vezes que Charles, o “marido” dela, é um boçal, o cara é chato pra diacho! Mas alguns veêm essas inúmeras repetições, eu vejo, como a visão dela do cara, por que é tão exagerado, mas tão exagerado, que ninguém conseguiria ser tão chato, nem eu, nem um jogador de futebol falando sobre marxismo, então parece que isso é o que ela pensava dele, afinal, Emma nunca estava satisfeita.

Todo mundo tem o direito de se sentir insatisfeito, não? Eu mesmo, sempre insatisfeito! Mas olha só, naquela época ela nem tinha escolha, tinha que fazer tudo escondido. Hoje, Madame Bovary seria provavelmente uma personagem entediante de Sex and the City, ela é ingenua perto daquelas garotas. E vejo que o padrão Madame Bovary está cada vez mais forte nas mulheres, todas insatisfeitas, buscando homens melhores, atenciosos, inteligentes, educados, mas também másculos, decididos, etc etc etc. Isso mesmo garotas, exijam sempre o melhor. Mas algo não ficou muito claro para mim ainda. Hoje temos o direito a essas coisas todas, se estamos insatisfeitos com algo, logo, podemos mudar para outro algo. Mas isso não anda acontecendo, as pessoas continuam fazendo tudo escondido como “Madames Bovarys”, mas qual o sentido disso?

Garotas que namoram se insinuando para homens, o contrário também ocorre. E tudo bem escondido, afinal, ninguém pode saber, não? Percebem? Qual o sentido? Ando vendo pessoas que se agarram em um relacionamento como se fosse a última opção de sua vida! Garotas bonitas e inteligentes, se submetendo a relacionamentos que não estão mais agregando nada, onde o respeito já acabou, não existe mais o relacionamento, só estão “juntos”. Algo que começou com paixão e aos poucos virou um relacionamento, acabou virando apenas um rascunho, e já não satisfaz mais. Mas em vez de perceber isso, e mudar isso, terminar a relação, ir em busca de algo melhor, não! A opção mais recorrente é a traição, manter coisas em paralelo, fazer tudo bem escondido, com muito medo de ser descoberto. Ou então a negação total, fingir que o interesse em outras pessoas não existe, que tudo está bem, que é apenas uma fase. Jogar a poeira embaixo do tapete, sendo mais claro. E todos sabemos no que isso acaba virando. Só frustra mais, só nos magoa e decpeciona. Então por que não tentar ser mais sincero? Ou fiel a si mesmo? Se quer algo, vá atrás, faça escolhas. Mas nunca se arrependa de suas escolhas, afinal, são suas, orgulhe-se por estar escolhendo e não por ficar em cima do muro. Se ficar em cima do muro uma coisa é certa: você vai envelhecer e vai ver que deixou de fazer muitas coisas por medo.

Madame Bovary adoece e morre, jovem. Não sei se Emma tinha escolhas, gosto de pensar que tinha, que ela só não teve coragem de tomá-las. Madame Bovary seria uma dama ou uma biscate? Biscate, digo eu, é o tipo de garota que considero biscate, existem muitas “Madames Bovarys” por aí. Sim, existem, garotas que não fazem idéia do que querem, alias, nem sei se querem algo, se querem apenas se sentirem mais belas através de elogios masculinos sinceros, como, “Ow gostosaaaaaaa!”, seguido de uma buzinadinha no carro. Outro dia discutia com alguém sobre a vaidade feminina, que está é uma grande vilã, talvez causadora dessa devassidão toda. Isso reforça na minha cabeça a seguinte teoria: Nenhuma garota é fiel, nenhuma, basta o elogio certo na hora certa que elas caem como pombos eletrocutados nos fios do poste. Talvez uma ou outra resista bravamente aos flertes daquele que, se ela fosse solteira, seria a tampa de sua panela. E abdicam dos flertes sem saberem ao certo se deveriam. E não digo que os flertes são recebidos em uma balada ou festa, algo regado à bebidas. Não, não, qualquer lugar é lugar, qualquer pessoa tem potencial para a traição. Não existe mais respeito, uma garota namora você, mas pode ser que em uma ida ao dentista ela se apaixone pelo cara, daí você dança. É questão de oportunidade e o flerte certo. Vai que no dia que ela foi no dentista, um dia antes vocês tiveram uma discussão terrível e ela chorou um monte, você xingou ela impensadamente. Dia seguinte ela está no consultório, o dentista ali super atencioso. Sua namorada toma remédios para depressão, está na TPM, além de brigar com você, brigou com os pais, a irmã, o cachorro. Já fez o rascunho de três cartas de suicídio… E daí vem o dentista, todo cheio de dentes para cima dela, fazendo elogios mil, do tipo: “Nossa, que dentes sensuais você tem!” E ela dá uma risadinha aqui, outra ali, e daí o dentista é ousado e a chama para subir em sua casa, que fica em cima do consultório, para mostrar sua coleçãozinha de elásticos de aparelhos. E ela vai e daí…

Daí ela fica com o dentisa e vive feliz para sempre! Claro que não! O dentista queria sexo, oras! E ela percebe isso logo em seguida, ou no dia seguinte, ou na semana seguinte. Ela vai parar e analisar o problema da insatisfação dela no seu relacionamento? Vai contar para seu companheiro que foi “seduzida” pelo malvado dentista e esperar o perdão? Ou vai omitir e enteder como uma falha dela? E ainda capaz de mandar uma carta (ainda se mandam cartas?) para o dentista, agradecendo-o, afinal, ele a fez perceber o quão feliz ela era no seu relacionamento. Como definir uma mulher dessas? Certamente para dama ela não serve, não é?

E o que é ser uma dama então? Não sei ao certo, mas acho que ter atitude. Atitude para ir atrás daquilo que realmente quer. Sem tem que ficar com medo de ser descoberta, ou inventando mil e uma desculpas pro que se está fazendo. Assuma, ué! Hoje em dia pode-se fazer tal coisa. Ser uma dama, não tem a ver com deixar de sair para evitar situações de tentação, tem a ver com estar em qualquer lugar e saber o que quer. Se está feliz com seu relacionamento atual, livre-se dos xavecadores de plantão. Se está insatisfeita, aceite os xavecos, mas depois ou antes, resolva seu relacionamento atual, abra o jogo, ou termine, sei lá, tome uma atitude. O mesmo serve para os homens. Saiba o que quer e deixe claro o que quer. Assim todo mundo fica sabendo. Afinal, isso é um direito seu, não?

Um aceno frenético,
do apocaliptico Carlos.

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18 comentários
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  1. “Garotas que namoram se insinuando para homens”… já vi este filme antes…
    “Vai contar para seu companheiro que foi “seduzida” pelo malvado dentista e esperar o perdão?”… já vi esta peça de teatro antes…

  2. Sabe, já ouvi mais de um comentário sobre Emma em que ela é tida como a representante da mulher oprimida que não se deixa abater e vai em busca da liberdade. Lembro que uma dessas vezes foi assim que fechei o livro, talvez num posfácio, sei lá, faz tempo. Mas o fato é que isso foi meio chocante, pq durante toda a leitura essa foi a imagem que eu não tive. Alguém que sabe o que quer não se penitencia. Porque tem convicção do que está fazendo. Emma, se teve algum mérito, foi se permitir desejar além. Mas parou por aí. Depois ela se perdeu naquele vazio e quebrou a cara quando achou que, enfim, tivesse chegado o salvador da pátria. Emma foi fraca. Fraca por se deixar levar pelos devaneios e fraca por não suportar as consequências.
    Mas estamos falando de um livro e de uma outra época, por isso nem toco na questão do casamento por conveniência e da traição. Naquele tempo pode ser que alguém como ela simplesmente não tivesse mesmo como fazer diferente, as pressões e os parâmetros eram outros. O problema todo é querer trazê-la como um modelo atual, aí não dá.

    Tb já ouvi mais de uma vez homens dizendo que mulheres se deixam seduzir fácil. Não discordo totalmente. E aí essa questão da vaidade é mesmo um argumento forte, pq ela provoca essa ânsia por acreditar que vc é, sim, sedutora, apaixonante e, possivelmente, a mulher da vida do cara. Mas, mas, mas, acredite, uma hora a ficha cai e se descobre que há mais fogo do que verdade nessa fogueira das vaidades. E que realmente é tudo uma grande ilusão e só o que vc vai conseguir é nutrir aquele mesmo vazio da Emma. Daí em diante, há duas possibilidades: ou vc se afoga num rio de lágrimas ou admite que certas coisas são mesmo passageiras e cabe a vc decidir se quer continuar nisso ou não. Há muitas mulheres “biscateiras”, mas acho que a maioria acaba sendo mais por ingenuidade do que por maldade, o que, veja, de qualquer forma não as exime da boa e velha honestidade desejável. Mas aí já seria uma “dama”, é verdade.

  3. Onde eu pus “ingenuidade”, leia-se imaturidade. Relendo me pareci ter sido muito condescendente na escolha da palavra rsrsrs

  4. Olá, Lívia!

    Bom, você diz ingenuidade (imaturidade). Concordo, pode até ser isso, alias, em matéria de ingenuidade (imaturidade) os homens são campeões, nem tente disputar conosco. Por exemplo: Que homem resistiria a uma dessas mulheres desejadas da TV nua em sua frente? Mesmo casado, amando sua companheria, etc. São poucos, admito. Mas enxergo uma certa maldade em Emma, ela botou em sua cabeça que era infeliz no casamento, ela botou em sua cabeça que precisava estar rodeada de homens e botou em sua cabeça que um deles iria salva-la, e acabou quebrando a cara. Ingenuidade ou imaturidade para mim, seria no caso de um homem vendo uma atriz famosa nua em sua frente, sem conseguir tirar os olhos. E não um homem que tem um relacionamento, mas bota mil e um defeitos na garota, então começa a desejar algo mais e ir atrás de outras garotas, mas também não tem coragem de colocar um fim em seu relacionamento. Acho que isso passa um pouco da imaturidade, pois é consciente, é algo premeditado. Não sei se existe um ideal, mas se existisse, acho que seria cada um saber se é ou não feliz. Se não for feliz, tenha coragem para mudar, afinal, trata-se da sua própria felicidade. Mas fazer coleção de pessoas para nutrir sua vaidade, acho que isso sim está errado.

    Bjo!
    Carlos

  5. Lívia, sabia que você está sendo o nosso grande desapontamento? Seus comentários estão oks demais, ponderados demais, sensatos demais. Onde já se viu, eu concordando em mais de 90% com comentários de uma garota com menos de 35 anos sobre relacionamentos? Tem algo de errado aí. Olha lá, olha lá.

    Agora, talvez não dê para transpor a historinha do nosso amigo flobér pros dias atuais no mesmo contexto, mas o que a gente vem reparando é que as atitudes das garotas são as mesmas da Emma num contexto muito mais friendly que o dela, ou seja, dadas as proporções, a canalhice piorou.

    E se a canalhice dos homens também piorou, é outra história. A gente não quer saber dos homens. Pode pegar pra você. Aqui o nosso lance são as garotas. Só elas =]

  6. Depende de até onde vai sua ideia de maturidade, Bernardo. Para mim ela implica tb coisas como reconhecer que brincar com pessoas não é legal. O que, como já falei, não exclui a desejável honestidade vinda tb de uma pessoa imatura. Mas nesse caso seria menos surpreendente se não fôssemos brindados com ela. Só estou tentando dizer que o que eu posso enxergar como canalhice pura e simples talvez seja menos que isso. Os efeitos são tão graves quanto, a atitude não deixa de pesar, mas as razões que levam o cara ou a garota a elas é que perdem parte da relevância. E então surge aquela sutil diferença: o canalha mereceria desprezo, mas ao imaturo caberia só ser ignorado até que ele resolvesse crescer, ainda que aí provavelmente fosse tarde demais.
    Paro por aqui, tá?
    =D

  7. Lívia, não tenho como discordar! Haha! Falou tudo.
    Beijo!
    Carlos

  8. Olá Carlos!
    Sempre passo por aqui mas nunca deixei comentário, hoje resolvi fazê-lo. Por incrível que pareça concordo com você. Pouquíssimas pessoas hoje tem ATITUDE. E claro, digo homens e mulheres. E algumas pessoas ainda insistem em dizer que estamos na cultura do descartável. Pura mentira. O que mais se vê são pessoas sustentando relacionamentos ridículos, por motivos mais ridículos ainda e pulando a famosa cerca. Não acredito na conversinha: “enquanto atendem as nossas expectativas e necessidades, as mantemos ao alcance da vista, quando não, as descartamos!”. Se fosse assim apesar de cruel seria mais honesto. O que falta nas pessoas é valor moral. Não é certo enganar, mentir, trair…etc..etc. Brincar com sentimentos alheios definitavemente é ERRADO. Agora errar é humano, concordo. Permanecer no erro é …digamos um motivo e tanto pra querermos que esse tipo de gente viva a milha de distância de nós. Abraços.

  9. Olá, Ana! Seja bem-vinda! =D

    De fato, acho que as pessoas estão ficando meio burras! Mesmo com tantas opções acabam insistindo em tolices que nitidamente não levarão a lugar algum.

    Beijo!
    Carlos

  10. Não terminei o texto, mas tive um surto de risada que quero registrar. A Emma, não o bicho!!! Socorroooooo, sensacional!!!!

  11. Comecei a ler o texto, pensando “ih… vou me irritar” e na verdade adorei a sua análise! :-)
    A Emma, a Capitu e a Ana Karenina traíram (ok,,, nada provado quanto à Capitu), e foram impiedosamente castigadas.
    Sem dúvida era outro tempo, quanto não havia a opção de divórcio amigável, viagem para a praia com o atual marido, e os três ex-maridos, e suas namoradas. Nem mesmo a possibilidade de um namoro sem propósitos matrimoniais.
    Atualmente temos todos liberdade, o problema é ter coragem de estar solteira (e solteiro) indefinidamente. Creio que daí vem esta opção do certo, acrescido do duvidoso e sacana. Mantido o namorado (a), a vida dupla segue fácil. O medo de solidão, e de tédio da Emma, continua no tempo presente.
    abraço
    Cris

  12. Só uma obs: Impiedosa e merecidamente castigadas.

  13. Discordo.
    O “castigo” nos três livros é desproporcional, até porque não se discute se a enfermidade, ou a morte é castigo, porque não são livros da Zibia Gasparetto.
    Mas bem poderia ter sido dada a chance às três com a chance de tentar outra vez, em outro relacionameto. Ou talvez fazendo uma plástica, análise e namorando o instrutor de yoga. :-D
    De fato, se a dose de tragédia fosse menor, é possível que ninguém falasse mais daquelas obras. Era a moral da época, e pelo seu comentário, e a moral de hoje também.

  14. opa… repeti dar chance, na frase!

  15. Cris, a Emma era uma retardada e por isso Flaubert fez ela sofrer o tempo inteiro. Não pela sociedade ou pelo sistema patriarcal e blábláblá. Você enxerga o que você quiser enxergar, mas essa visão de que a Emma era uma coitadinha querendo bancar a Cyndi Lauper é bem ruinzinha. Emma, o tempo todo tinha uma percepção rasa da vida, do que ela queria pra vida. Não me lembro exatamente, mas não acho que ela tenha sido obrigada a casar com o Bovary e mesmo depois de toda a sacanagem, no episódio do aleijado, que ela vê uma possibilidade do Bovary se tornar um médico famoso, ela virou num passe de mágica a esposa mais amorosa e devota do mundo. Ela era falsa, canalha, interesseira, egoísta, etc. Teve o que mereceu.

  16. Ola, Carlos.

    Gostaria de dizer que seu topico me interessou bastante, mas a coincidencia do seu nome me chamou muito a atencao…por ser o mesmo do meu irmao…soh que ele eh FILHO, no final.

    Bem, adorei sua analise e sou obrigada a dizer que entro em confito com ela.

    Primeiramente, porque sou obrigada a concordar que (infelizmente), cada vez mais, as mulheres, isso de todas as idades, estao se deixando levar pelo pensamento de igualidade aos homens, ou seja, se comparando a eles.E se nao bastasse isso,estao querendo “se tornar ELES”…nao estou fazendo mensao aos gays, mas as mulheres que querem ter um comportamento igual ao dos homens, pensando…”Se ELES podem fazer, NOS tambem podemos”, o que nao tem nada a ver, porque SOMOS diferentes…e isso nao se discute.
    Claro que existem homens mais sensiveis e mulheres mais duronas, por assim dizer, mas no contexto sexual nao podemos comparar os comportamentos, isso eh mediocre!!!! E torna a vida muito confusa…
    Veja bem.Conheco homens que alegam que muitas das vezes nao dao valor a mulheres “maravilhosas”, porque: Elas mesmas nao se dao valor (”se comportando como homens”, nessa coisa de ficar com todo mundo); e, que/porque, isso confunde muito as coisas, porque quando encontram alguem LEGAL, tem medo de confiar, se entregar, e a garota ser mediocre…ser facil…enfim, considerada “Biscate”.
    Isso acaba com a moral das poucas que ainda a tem…que tem um comportamento mais “conservador”…

    Muitas mulheres, conheco muitas que agem assim, geralmente reclamam que nao encontram caras LEGAIS, e por isso, saem “pescando” por ai ( MUDANDO A ISCA DE LUGAR SEMPRE), na esperanca de encontrar a sua tampa….nao tenho nada contra…cada um tem seu rabo, e sabe bem o que fazer com ele…nao eh da minha conta….mas isso acaba por nao ajuda-las em nada, soh piora a situacao…e ainda prejudica a imagem das mulheres de uma forma geral…porque os comentarios masculinos sao generalizados sempre…

    Bem, a segunda parte do meu conflito eh pessoal…e tem muito a ver com a EMMA…com certeza nao sou uma BISCATE, mas nao tenho a ousadia de me comparar a uma DAMA.E eh exatamente ai que nao sei onde me encaixar…ou um nome ao meu comportamento.

    Eh engracado como minha historia eh parecida com a da EMMA…por favor, nao me julgue antes de ler tudo…e considere que nao li o livro sobre a historia dela, somente o seu relato.

    Eu nasci e cresci em uma cidade pequena,nao exatamente rural porque eh de frente para a praia, mas pequena, onde muitas garotas pensam exatamente como a EMMA, e muitas conseguiram sair de lah do mesmo jeito que ela…porem, nunca me conformei com isso, e a educao que tive tambem nao foi esta, apesar de muito conservadora, pela familia do meu pai ser europeia.E apesar de todos os meus namorados (quatro ate hoje) terem sido de fora da cidade, todos muito bem apanhados, e de vida “estavel”, nunca me prendi ao fato de casar com eles para mudar de vida…tanto que tres deles me pediram em casamento e eu nao aceitei…
    Sempre fui muito independente, ou tentei ser, e portanto, sempre tive na cabeca que se quisesse sair dali, teria de ser pelos meus pes…na verdade, minhas asas, porque sou aeromoca hoje…e consegui tudo que queria…
    Voltando a EMMA…dentre todos os meus namorados, eu nunca fui de muita atitude, durante o relacionamento,mas sempre q o encanto se acabava eu tinha a atitude necessaria para terminar…e firmeza para que fosse definitivo.
    O problema era ate onde o meu tapete estaria cheio debaixo…porque eu jogava tudo lah embaixo e quando nao dava mais para esconder, eu ai terminava tudo, porem, sou capaz de me orgulhar em dizer que nunca trai meus namorados.E eh com tristeza que sou obrigada a concordar que fui mais fiel a eles do que a mim mesma em todo esse tempo…o que me fez muito infeliz.
    Apos ler um livro muito especial, chamado “O LIVRO DA BRUXA”, finalmente entendi o que devia fazer…

    Hoje, me auto-denomino “Aprendiz de Bruxa”,e nao eh relacionado a magia, mas a atitude feminina…e eh interessante que os homens conhecam a historia para saber como nos identificar….

    Na sua analise, nao sei como me qualificar…mas na minha, sou uma Aprendiz de Bruxa….adoraria sua opniao sobre mulheres como eu e outras tantas, apos ler este livro que relacionei.

    Desculpe, nao ser muito exata nas coisas que escrevi relacionando-as a sua analise, mas estou escrevendo com um pouco de pressa…e assim que tiver mais tempo comento com melhor afinco e menos erros ortograficos tambem…rsrsrs

    Aguardo seu comentario.

    Atenciosamente,

    Louise Laurence.

  17. Bom, O texto deixou a desejar.
    Na minha opinão, só quem distinguirá uma dama de uma biscate é um cavalheiro.
    Oras, você fala da mulher que tem atitude, que faz o que ela quer, que admite o que faz para os outros. Quantas são assim, e nem por isso são damas? Na mídia temos um monte.
    A dama sabe o que é bom para ela e tem consciência de suas atitudes. Não necessáriamente, a dama faz o que quer, mas faz o que é necessário.
    A banalização que vemos atualmente não é só das mulheres não. O próprio fato de vocês homens flertarem uma mulher com o intuito de adquirir prazer, é banal.
    E antes que se possa pensar, “quem é ela, pra dizer isso? Uma dama?”
    Digo de antemão, não sou uma dama , mas busco ser uma.
    E o primeiro passo que dou: me preservo, não fico por ficar, e nem por isso sou como aquelas religiosas alienadas.
    Espero que com isso possa abrir os olhos de pelo menos você, Carlos, que está preocupado em distinguir uma dama de uma biscate.

  18. Antes de qualquer coisa, o texto pode ter mencionado mas não achei que teve ênfase suficiente: tudo que foi atribuido ao comportamento feminino acontece com muito mais frequencia no comportamento masculino.
    Depois tem a questão da ilusão: Esse texto parece ter sido escrito por alguém que ainda busca o conto de fadas, a mulher perfeita, “a tampa da panela”, a história única e mágica onde um casal é completamente uno e integrado. Olha, não é que não exista, mas essa não é a única forma de um relacionamento funcionar. Pra que o relacionamento realmente tenha chances de durar é preciso aceitar que as pessoas têm necessidades momentaneas e que, por mais que seu ego se negue a admitir, você pode não ter como suprir essa necessidade no momento. Isso não faz com que a mulher goste menos de você, ou que isso seja motivo suficiente pra terminar o relacionamento e sair procurando por aquele detalhezinho que o parceiro não pode proporcionar no momento. É aí que entra o dentista. E não, não é melhor chegar e contar pro seu parceiro e destruir a auto-estima dele. Se a relação é realmente forte e o casal se entende, sabe que ter o parceiro feliz e satisfeito está acima do seu ciuminho e da sua pretensão de ser a pessoa perfeita. Você não é. O dentista vai existir por uma semana e cair no limbo do esquecimento. Fazer com que isso seja motivo pra terminar um relacionamento é imaturidade e ingenuidade. E, me desculpe, mas uma mulher que sabe disso (não culpar seu parceiro por ele não poder dar tudo que ela quer E aceitar que ele possa as vezes procurar saciar necessidades momentaneas com outras mulheres) não é uma biscate. Pelo contrário, é alguém que busca a superação como indivíduo. Se o mundo fosse feito pelas supostas “Damas” do seu texto (na minha concepção mulheres de mentalidade pequena, fúteis e impulsivas), nenhum relacionamento duraria mais que alguns anos.

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