Lefebvre de Saboya
O universo masculino também presta atenção no programa da GNT, o Saia Justa. Não pelas razões que muitas meninas gostariam. Um macho de respeito vê ali apenas os próximos motivos de um futuro “discutir relacionamento”. Nós homens adoramos o feminismo, mesmo sem saber o que diabos ele significa para as mulheres. Para a gente, como diz o Carlos e o Edu, apenas diminuiu o tempo entre a posição sentado no bar e deitado na cama.
Todavia, alguma hora você irá se deparar com conversas a lá GNT. Isso não é irritante em si. É difícil você perder seu interesse por um mulher bonita só por causa desses papos, e os homens não desistem no primeiro problema. Algumas delas nos fazem agüentar até o milésimo. O problema aparece quando algumas se juntam e a discussão começa. Em algum momento essa conversa vira um programa de televisão. Nesse caso, o homem deve levantar-se educadamente e passar o tempo em outro lugar. Algumas técnicas de tortura são mais toleráveis que papos assim.
Nos relacionamentos, as mulheres têm muito em comum com o canal da Globo. Poucos sabem até o significado da sigla do canal que adoram. Quando surgiu, a GNT deveria ser um canal de jornalismo. Globo News Television, creio. Coisas da década de noventa e seus modismos, como CNN, ABC, BBC, FOX. Mas como a própria dona da GNT confessa, ela nem sabia o que fazer então, comprou alguns documentários e dez anos depois o canal ganhou seu perfil definitivo. Com sua namorada é igual. Depois de dez dias (ainda bem), ela adquire seu perfil definitivo e você resolve se continua na situação ou não.
Toda conversa feminina é como uma mensagem codificada. Ou se é um espião eficiente, ou você se lascou. Dizem que a programação do GNT é mais democrática, feminina e tolerante da TV brasileira. Leia-se “é a programação mais menininha, cheia de TPM e sem assunto nenhum que fuja das convenções imaginárias de um feminino engajado“. Os dois melhores programas da rede, não por coincidência, são os mais antigos, os mais politicamente incorretos e não são produzidos pelo canal, mas comprados: Late Show with David Letterman e o Manhattan Connection. Num paralelo com o diálogo feminino, é a igual à conversa de que toda mulher quer um cara romântico, amigo, tolerante e metrossexual. Na realidade elas gostam mesmo é de um bom canalha.
Um desavisado assistindo o Saia Justa ficará, sem sombra de dúvidas, numa saia justa na sua vida social. Aliás, porque um programa que não provoca qualquer espécie de constrangimento chama-se Saia Justa, que disso nada tem? Enfim, lá o tal desavisado verá todo tipo de coisa que contradiz anos e anos de experiência masculina no universo feminino. Tente aventurar-se no mundo da psique feminina. Não é algo bonito de se ver. Aliás, as conversas femininas chocam o mais machista dos homens. “Mesmo eu sendo o pior dos homens, jamais falaria assim da minha vida com meus amigos“.
A mulher é, talvez, a maior invenção de Deus, só atrás do uísque, do cigarro e do Mustang Shelby. Mas na era moderna elas caíram no maior golpe do vigário já orquestrado no mundo: o feminismo. Eu já mostrei que esse tal do feminismo só diminui as mulheres. Eu já disse que eu entendo mais de Clarice Lispector do que qualquer um que já conversei sobre. Eu já disse que mulher bonita não precisa querer parecer inteligente, porque isso só mostra o quão insegura ela é. Inteligência se tem ou não, nisso a publicidade não pode fazer nada por vocês, meninas. No duro.
O poder feminino tem seu alicerce no fato das mulheres serem umas mil vezes mais inteligente que qualquer homem. Se elas desistem disso, o problema não é meu.